I think we're like fire and water
"É exatamente disso que a vida é feita, de momentos. Momentos que temos que passar, sendo bons ou ruins, para o nosso próprio aprendizado.''
Esse meu cinismo é ficcional. Não sou nada disso. Esse meu orgulho, essa minha frieza, esse meu jeito seco e mórbido é só ostentação. Sou fraca e covarde, covarde de mais para demonstrar sentir qualquer coisa além de indiferença, mas eu sinto. Meus sentimentos me sufocam e degolam. Sinto de mais. Sinto até mais do que deveria sentir. Esse meu falso orgulho é muralha, não deixa críticas alheias me atingirem, mas elas não me protegem de meu interior e meu interior está passando por uma guerra civil. Olhe para mim com está mascara de quem não se importa com nada. Eu me importo. As pessoas pensam que não, que a muralha não pode ser arranhada e atiram sem pudor em minha direção, fazem buracos em mim, minha estrutura treme, as barreiras se rompem, meu interior fica alagado e meu exterior tão maltratado tapa os buracos e não deixa ninguém olhar para dentro. Todos se afastem. Sou uma fortaleza de um ser só. Por fora está tudo bem, mas aqui dentro tudo queima.
Nathalia Goulart,goteira.  
19 hours ago . 440 notes . compartilhe
E a verdade é que eu vou deixando pedaços de mim por ai. E guardo pedaços dos outros em mim. Eu nunca fui boa em me despedir, em partir ou deixar que partisse. Uma vez meu, tem que ser meu pra sempre, nem que eu me agarre a fotos antigas e lembranças escassas. E isso me dói, me cansa. Esse amontoado de sentimentos, pensamentos, amores e desamores que se acumula no meu peito. Essa constante sensação de que algo me falta, um vazio existencial que nunca é preenchido. Eu sinto falta daquela amiga que se perdeu no tempo, do meu primeiro cachorro, da minha professa da terceira série, daquela cidadezinha que nunca mais visitei. E pô, acima de tudo, eu sinto falta de você. Quando eu começo a pensar em algo, quando eu escuto uma música, ao ler um texto, ao ver um filme, você sempre me vem na cabeça. E essa saudade com cara de insana nostalgia se apossa do meu peito, num aperto sem medidas nem tamanhos. Pra falar a verdade, eu sou feita de saudades, se existisse um raio-x emocional daria pra ver que eu sou 100% saudade, até mesmo o amor que eu sinto vem acompanhado de saudade. Eu me sinto sufocada com tudo isso, com tudo que eu não disse, com tudo que eu não fiz. Eu queria jogar tudo pro alto e ir atras de você, mas me falta coragem. E não tem um dia se quer que eu não me arrependa de não ter feito as coisas direito então todos os dias eu fico com esse maldito sentimento dentro de mim, e sinceramente eu não sei se um dia vai passar, eu queria ter vivido tudo com mais intensidade com mais emoção, com mais amor quem sabe assim eu não sofreria tanto. Bem agora não adianta nada me lamentar por algo que não tem mais jeito. Eu não culpo ninguém apenas a mim e agora eu convivo com isso pra sempre. Eu queria poder me reconstruir sem as partes que deixei pra trás, deixando a vontade insana de ir atrás de ti e todas as partículas de saudade que tenho de tudo e todos guardadas em mim. Mas a verdade é que isso não é fácil, e meu emocional totalmente afetado pela saudade não me deixa nem ao menos tentar. Saudade de tanta coisa que não tem mais espaço nem pra respirar. Saudades de mim mesma e de um amor que foi perdido. Ah, se houvesse uma maneira de me reconfigurar sem as lembranças que insistem em atormentar minha mente, pode apostar que eu seria a primeira a utilizar. Mas infelizmente isso está fora de cogitação, não é mesmo?! Por que eu estou no fundo do poço pela minha culpa, somente por ela. Quem mandou eu resolver me entregar de corpo e alma a pessoas que não sabem fazer o mesmo? Ninguém além de mim. Por isso, sinto que vou ficar eternamente estacionada nessa situação, cheia de saudades, colecionando partículas de amores perdidos e perdendo cada dia mais a mim mesma.
Escrito por Laís, Isabelle, Laura e Ana Laura em Julieta-s.  
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Então não perca seu tempo comigo. Eu não sou um corpo que você achou na noite, eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer, eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro. Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo.
Caio Fernando de Abreu.   
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Estou cansado dessa mesmice do dia a dia, da hipocrisia que nossos semelhantes exalam a cada frase dita mal o dia tendo começado - sendo eu um deles. Por mim eu ficava em casa, deitado em minha cama com uma boa garrafa de algo qualquer para molhar o bico; só não fico porque há de chegar o dia em que a preguiça me roubará os sonhos, a força para realizá-los. Tenho sonhos para concretizar, transformar em metas; sonhos inferiores a fama e fortuna; sonhos pequenos como realização pessoal e felicidade de fim de tarde, à noite, acompanhado, não dormir e acordar ao lado de quem me fez companhia nessa insônia. Deixo minha cama e enfrento esse mundo cheio de calamidades, rodeado por pessoas tão desinteressantes, pois no fundo ainda tenho fé que em meio a tantos humanos, resida um pouco de humanidade. Humanidade de saber respeitar, de entender que estamos abaixo da ordem natural, que uns virão, outros irão, é o normal de se acontecer. Humanidade que os animais parecem conhecer melhor, aquela que faz famílias firmes, nada desses abandonos que se vê nessas caixas coloridas que se tem hoje em dia; seja por qualquer motivo que for. Vou trabalhar, exalar mal humor, soltar sorrisos de vez em quando, em busca de alguém que encontre algo pelo qual lutar por trás desse casmurro que venho me transformando. Visto minha roupa de ser humano dia após dia pois há alguém lá fora que é para meu bico, que é a minha garrafa. Os problemas não se resolverão, sempre cá estiveram, sempre cá estarão, mas a preocupação com o que se tem de errado se amenizará. Vou viver com uma e somente uma pessoa e quando essa garrafa esvaziar-se, não será hora de arranjar outra na esquina por dinheiro, será minha vez de também esvaziar e da cama não levantar novamente. Findarão-se as diversões vazias, as preocupações com uma sociedade que nem me diz respeito, as poesias bêbadas de fim de domingo. Só não findará a consciência de que algo está fora de lugar, não findará a poesia que luta, o engajamento. Alguém há de se tornar a garrafa e assim como eu, dar continuidade ao legado dos tolos. Legado dos que ainda acreditam que há muito a ser explorado, mas que não vivem no tempo em que esse potencial será alcançado.
 Charles Bukowski.
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Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.
Martha Medeiros.  
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Então me deixa ir embora, por favor. Faz frio aqui.
Ontem eu fiz a besteira de me olhar no espelho. Estou ainda mais parecido com você. Deu vontade de chorar, mas eu lembrei subitamente o quanto eu odiava ver você chorar. Talvez a sua tristeza fosse a única do mundo que eu não achava bonita… Eu não entendia ainda. Nunca entendi ao certo porque suas lágrimas não desciam da cor dos seus olhos tão meus, mas você nunca gostou desse negócio de ceder seu corpo aos seus sentimentos. Nem um milímetro que fosse. Sua fortaleza, meu amor, ruiu. E a prova sou eu, fruto do teu maior acaso, criatura obsessiva por manter os olhos da mesma cor, exatamente porque eles não herdaram a tua vida. Só a tua partida, e isso são olhos descoloridos que não sorriem jamais e, por mais lágrimas que ousem escorrer, são olhos que jamais brilham. O espelho é um borrão fosco como foi todo o estado de coma que eu fiquei quando vi sua vitalidade escorrendo pelo ralo da pia feito caracóis (seus caracóis dourados, amor, que de tão reais não enfeitaram o seu funeral). É isso o que dá me olhar no espelho quando a morte é quem está sorrindo atrás de mim, deitada na minha cama azul piscina, que não é minha. Você tinha a mim. Você tinha o seu passado chorando bem na sua frente, o seu passado chorando porque não queria te ver. Eu reneguei você até o último minuto da minha vida, quando você não apertou mais a minha mão e eu deixei o cristal da minha infância cair no chão e quebrar. Eu odiei você porque não tinha forças pra lutar comigo e dizer: “Rapazinho, escute aqui. Se você é o meu passado, eu sou o seu futuro”. Você só me deixou ir, mas onde estou agora, senão perto do espelho, da cama, da morte, da vaga no estacionamento do prédio vazia? Eu estou perto do esquecimento, porque cobrindo o pontilhado da nossa história, descobri que te recriei sem os seus lenços da cabeça. Você é minha fantasia, minha ideologia, meu porta-retratos, minha janelinha no dente. Você é qualquer coisa que não seja essa tosse incessante e essa febre que me corroeu o amor. Você é qualquer coisa que não me faça morrer, então suma daqui. Suma daqui e ocupe o seu lugar do nada, porque eu não preciso de você. Eu já não sou mais o teu passado, não seja o meu amanhã. Dói demais não acreditar que eu vou te abraçar um dia. A nossa despedida foi só uma invalidez, mas eu nunca, nunca desisto de te curar. Deixa eu ir embora, meu canário da asa quebrada, por favor. Faz frio aqui. Na lápide onde você não está.
Cinzentos.
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Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter ânsia de vômito segundos antes de vê-lo e ter fome de mundo segundos depois de abraçá-lo? Sabe não agüentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? Ele consegue fazer com que eu me perdoe por apenas viver sem questionar tanto. Eu quero parar com tudo isso, ele é um menino que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura. Eu quero colocar um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto para desejar por aí. E aí eu me pergunto: pra quê? Se está tão bom, se é tão simples. Ele me ensinou que a vida pode ser simples, e tão boa.
Tati Bernardi.  
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Mas todo mundo deveria ter um amor verdadeiro.
A Culpa é das Estrelas.   
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O universo me pariu.
Essa é minha crença. Várias teorias existenciais podem lhe confirmar o que digo, tenho a força da gravidade dos fatos a meu favor. Um antigo conto, fala que quando o céu chove a noite, significa que uma estrela desapareceu no universo. Sim, estrelas tem sentimentos e o que nós chamamos de chuva, são na verdade suas lágrimas. Conheci a sua coragem, vi como sua luz continua brilhando mesmo após a morte. Viemos de seus núcleos ardentes e no seu glorioso fim elas rasgaram o seio do céu para nos dar o direito a vida. Que bonito é realmente existirmos não acha? Eu vi o infinito e me faltou ar, meus pulmões cheios de vácuo nada puderam fazer. O escuro é tão confortável e convidativo, como uma tentação inconsciente, uma droga que me viciava e da qual era dependente. Finalmente descobri o que existia no escuro do universo. Para mim existe paz, sossego e gratidão.
Sereno.   
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Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Más há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.
William Shakespeare.    
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Vai devagar… Pensa duas, três, quatro, quantas vezes forem necessárias pra não fazer bobagem. Cuida do teu coração, cuidado com quem você deixa entrar. Espera o tempo passar. Acredita menos… As pessoas não são tão legais quanto aparentam ser. Quem acredita menos, sofre na mesma proporção. Até quando você achar que é verdade, desconfie um pouquinho. Faz bem não se entregar totalmente logo de cara. Se arrisca mais, por você. Tenha coragem para dizer tudo que tens aí guardado. Seja forte para conseguir se manter calada perante alguns. Muda de rumo. Quando te mandarem ir por lá, vai pelo outro caminho. Ou vai apenas, pelo caminho do teu coração. Se você não aguentar mais fingir… Chore. Depois que você acabar de chorar, vai sentir-se mais leve. E então vai levantar a cabeça, lavar o rosto, pôr uma roupa bonita no corpo, um sorriso escandalosamente lindo no rosto e dizer que chega, que você vai é ser feliz. Eu sei, é assim mesmo. E vai funcionar! Não diga “nunca”, nunca. Irônico, não? Mas não diga. Porque essa vida é incrivelmente engraçada. Mais uma coisa. Você não pode ter medo que as pessoas te machuquem, viu. Porque as pessoas vão te machucar de vez em quando, até mesmo aqueles que você mais confia e admira. Não vão fazer por mal, mas somente porque são humanos. Cometemos erros ridículos com pessoas maravilhosas. Faz parte. Não esquece que cada um é cada um. Somos diferentes. Graças a Deus, somos. Vive um dia por vez, sem pressa e sem querer ser mais rápida que o tempo. E por favor, vai ser feliz, que tu ainda tem muito por viver.
 Caio Fernando Abreu.   
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Eu sei que as pessoas fazem promessas o tempo todo. E depois, elas simplesmente dão ás costas e as quebram. Sei que muitos te deixaram sangrando, mas eu poderia ser aquela que irá cuidar de você e com o tempo te ajudar a esquecer. Não aja como se fosse algo ruim se apaixonar. Que tal se eu fosse a última voz que você escutasse à noite? E em todas as outras noites que existem? Sabe, eu só quero ver você olhando para mim todas as manhãs. E saber que aquele é o único lugar que você quer estar.
O Diário de Sofi. 
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Estou bem, só que não tenho apetite. […] Meus nervos costumam me dominar, especialmente aos domingos; é quando me sinto péssima. A atmosfera é sufocante e pesada como chumbo. Lá fora não se ouve um pássaro, e um silêncio mortal e opressivo paira sobre a casa e se gruda em mim, como se fosse me arrastar para as regiões mais profundas dos abismos subterrâneos. Em tempos assim, papai, mamãe e Margot não têm a menor importância para mim. Ando de cômodo em cômodo, subo e desço escadas e me sinto um pássaro de asas cortadas, que fica se atirando contra as barras da gaiola. “Me deixem sair para onde existem ar puro e risos!”, grita uma voz dentro de mim. Nem mesmo me incomodo mais em responder, só fico deitada no divã. O sono faz o silêncio e o medo terrível irem embora mais depressa, ajuda a passar o tempo, já que é impossível matá-lo.
O Diário de Anne Frank. 
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As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!
O Pequeno Príncipe. 
21 hours ago . 12,364 notes . compartilhe
Meu Deus, Rudy… Inclinou-se, olhou pra seu rosto sem vida, e então beijou a boca de seu melhor amigo, Rudy Steiner, com suavidade e verdade. Ele tinha um gosto poeirento e adocicado. Um gosto de arrependimento à sombra do arvoredo e na penumbra da coleção de ternos do anarquista. Liesel o beijou-o demoradamente, suavemente, e quando se afastou, tocou-lhe a boca com os dedo. Suas mãos estavam trêmulas, seu lábios eram carnudos. Os dentes dos dois se chocaram no mundo demolido da rua Himmel.
A menina que roubava livros.   
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theme por: romanceais