I think we're like fire and water
"É exatamente disso que a vida é feita, de momentos. Momentos que temos que passar, sendo bons ou ruins, para o nosso próprio aprendizado.''
A vida tem disso. Ela te mata de tristeza hoje, de saudade amanhã, de dor depois, para só no final te dar aquele gostinho doce na boca. Só depois de provar todos os salgados e amargos, até mesmo os que machucam o paladar, vai sentir uma pontinha, como meia colher de chá de um doce que a gente goste. É o suficiente? Não, não é. Claro que não. Quem quer sofrer uma semana inteira só para comer meia colher de doce? Ninguém, normal pelo menos, ninguém. Mas é o que te faz querer continuar. É o que te mantém à noite acreditando que amanhã vai ser melhor, que semana que vem tudo vai passar, que daqui um ano você vai estar tão feliz, que todos vão parar para te olhar e contar histórias sobre como sua vida foi bonita. É esse o momento doce que todos querem, o momento que todo o esforço parece enfim valer a pena. E demora, como demora. Ainda mais pra quem quer mesmo, quem corre atrás, porque meia colher não é o bastante pra quem quer o pote inteiro. Meia colher acaba rápido, mas é mais fácil conseguir… então, se demora tanto, é porque não vai vir só meia colher pra você, vai vir mais. Muito mais. A vida sorri de volta quando você não deixa de sorrir para ela.
A culpa é mesmo das estrelas? 

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!” Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que responderias: “Tu és um deus, e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” Pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?
Nietzsche.

Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar…
O Vendedor De Sonhos. 

O meu problema é que eu sempre quero tudo muito rápido, sem dar ter tempo de pensar se quero mesmo. O coração do ansioso bate depressa e não por amor. O ansioso quer o sentimento, a sensação e a culpa. Quer tudo, rápido, ao mesmo tempo. Quer engolir o outro. O sonho de quem ama ansiosamente é que tudo sempre saia como imaginou. E rápido. Sempre rápido. As cenas precisam ser exatas, as falas de acordo com o script. Ir contra o que o ansioso imaginou é muito triste. Dói nele. Dói de verdade. Não culpem o ansioso por amar depressa. Não culpem o ansioso de sofrer por algo que nem ele mesmo sabe se é verdadeiro. Quem tem pressa, no fundo sabe o quanto a vida é passageira. Projeta a vida sem limites. Sonha com o desencontro e o reencontro. Quem tem pressa, imagina demais. É muito difícil encontrar a linha tênue entra a calma e a rapidez. Entre o que vale a pena e o que já está nos tirando o fôlego. É por isso que o coração do ansioso vive dando a cara a tapa. Caindo, sendo esmagado, em pedacinhos. Quer saber? Admiro os desassossegados. Num mundo onde as pessoas sentem medo do que é verdadeiro, somos muito corajosos por ter a urgência de amar.
Recontador. 

Sinto que não faço falta no mundo, e que minha existência não é tão necessária. Há horas em que meus olhos se disfarçam de céu, e chovem, mas sei que todos precisamos chover as vezes; precisamos afundar, pra ver como é lá embaixo. Eu gosto de pensar que depois de um certo tempo esquecemos algumas coisas, mas a verdade é que se algo foi importante pra você, é bem impossível disso acontecer. Eu não vou com a cara da vida, parece que está sempre tentando me colocar pra baixo, e eu sinto vontade de voar, pra bem longe, pra encontrar pessoas, ver coisas, sentir o vento soprando meu rosto. Mas no momento, só quero dormir.
Felipe Stanlett.  

Eu gosto de pessoas inteligentes que enxergam o mundo com humor. Tem muitas pessoas em quem eu bato o olho e penso: deve ser legal ser amiga dele. É gente que não carrega o mundo nas costas, que fala olhando nos olhos, que não se leva tão a sério, que é franca na hora do sim e na hora do não. É difícil sacar as qualidades de uma pessoa sem antes conhecê-la, mas intuição existe pra isso. Tenho vários amigos que enriquecem minha vida e se encaixam no meu conceito de “pessoas especiais”, mas meu coração é espaçoso e está em condições de receber novos inquilinos.
Martha Medeiros.  

Eu não tenho escrito nada e isto é ruim. Péssimo. Degradante. Quando começo não sentir mais nada as palavras somem e a loucura vai tomando conta de mim, aos poucos, mas vai. Você se foi e isto foi um golpe muito forte. Tive que aprender a andar sem ter a expectativa do seu beijo no final do dia ou das suas promessas chulas de amor eterno. Fui sendo modelado, fui sendo decodificado em um código que não sei decifrar, só sei seguir. Seguir, seguir. Ir adiante quando não quero ir. Dói. Machuca. A vida poderia ser o sinônimo de derrota. Só perco nisto e as ideias de reconciliação parecem passar longe da fresta da sua janela. Eu tenho me perdido nas palavras, nos versos, nos verbos. Tenho conjugado amor com até breve, saudades com o teu nome, desespero com o teu ir. E esses pensamentos não tem me levado em lugar algum. Não existe vida sem você. Não existe nada sem o teu aconchego, sem as tuas palavras erradas e sem a tua bunda rebolando para mim enquanto assisto o meu futebol. Eu largo do meu futebol. Eu largo dos meus desejos. Eu largo os meus medos. Eu largo o fantasma do casamento. Eu me caso com você. Mas volta. Volta hoje, amanhã, depois de amanhã. Volta sempre, quando eu pedir e quando não. Volta porque conjugar o ir sem o teu ficar tem sido torturante de mais para mim. Eu sou poeta e aprendi amar. Amar cada detalhe seu, cada palavra doce e zangada que sai da sua boca. Eu aprendi que saudade corrói mais que a própria presença egocêntrica. Tive que lhe perder para entender que existe pontos que seriam mais adequados serem vírgulas. Entendi todos os pontos, dois pontos, três pontos, que você colocava. Agora volta. Volta já. Não espere. Eu tive que morrer sem você para entender que ressurgir sem a sua presença é pior que ser raptado pela tua frieza. Não existe nada pior que a solidão de um amor que ainda vive. Não existe nada pior que não poder criar versos para quem lhe derruba em linhas. Não há nada mais degradante de ser o teu passado, que passa, mas nunca chega.
Augusto Soares.

Tenho vontade de ser amigo de algumas pessoas, mas sei que amizade não é algo que se peça à alguém. Por incrível que pareça, essas pessoas não tem nada de extraordinário, quase ninguém as enxerga, elas não fazem questão de serem vistas, as vezes bato o olho e penso o quanto deve ser legal ser amigo dessas pessoas, dividir o peso do mundo que carrego nos ombros, olhar nos olhos e falar alguma banalidade aleatória. É algo intuitivo, algo espiritual. Existem aqueles que não tem nada a oferecer, e me despertam uma curiosidade profunda apenas por serem quem são, talvez eu nunca consiga explicar as entrelinhas e os porquês, mas é como se houvesse um espaço no meu coração esperando pra ser preenchido por alguém tão vazio quanto eu.
Sean Wilhelm.  

Respira fundo e apaga tudo por alguns segundos. Conte até dez e permita-se recomeçar. Parece aula de terapia mas não é, quando se está na beira do abismo, você se salva ou vira manchete de jornal. A poesia fica no canto da página, feito nota de falecimento, sem nenhuma expressão. Não adianta querer entender o que se passou, é hora de esquecer e se reorganizar, uma mera questão de sobrevivência. Depois de tantas recaídas, idas e vindas é preciso voltar ao jogo. E é nessas horas que eu gosto de comparar o ser humano com a água, com o líquido e o abstrato, gosto de acreditar na flexibilidade e fluidez do universo. Eu diria que o segredo é ser capaz de enxergar todas as possibilidades de escolha, de entender as múltiplas facetas da verdade. Vasculhe o jornal, tantas coisas acontecendo, o mundo é um balão de novidades, uma esfera cibernética de fatos e pessoas. Reflita, se fossemos baseados em regras ou princípios torpes, tornaríamos repetições sem graça dos nossos pais, no máximo um retrato hightech do passado. Está na hora de exercer toda a sua criatividade. Reaja e assim como a água deixe fluir. Ocupe um novo lugar, adapte-se às novas condições de temperatura e ambiente. Vamos, respira, a cada tropeço temos a chance de rever tudo, de encontrar as falhas, de tampar os buracos. Somos um rio repleto de vida, carregamos em nós mesmos um universo particular de possibilidades e vocações. Abras as gavetas, doe algumas roupas, faça novas combinações, ache palavras interessantes no dicionário e use-as, compre discos, vá ao conservatório de música e em suas escadarias recite aquele verso que te fez chorar. Está tudo ai, basta exercermos a nossa liberdade e irmos em frente.
Elisa Bartlett.

Você me olha nos olhos e sinto sua mão na minha cintura, sinto sua caricia e seu desejo por mim, sua mão subindo pelas minhas costas e sua boca na minha, e você me beija intensamente e eu me envolvo em você ainda mais e sinto aquele arrepio bom, beija lentamente meu pescoço e o calor nos envolve. Olho nos seus olhos enquanto meu corpo envolve o seu moldando num perfeito encaixe. Seu beijo desperta milhares de sensações pelo meu corpo. Sua mão presa na minha cintura me incentivando a tomar tudo de você, nenhum barulho a mais se ouve a não ser nossos sussurros loucos e nossa respiração acelerada. Me sinto tão sua, se tempo parasse agora eu nem ao menos notaria. Não queria espaço algum entre nossos corpos, nenhuma luz, nenhum ar. Deixei a gravidade pressionar nossos corpos um contra o outro, o mundo inteiro desmoronou e só existia eu e ele, era pura libertação.
 Quoteografa & Manuscrite.

Depois de muito tempo liguei a televisão pra conferir o horário eleitoral e vi que nada mudou, o mesmo circo armado, o mesmo desfile de psicopatas políticos com caras de depravados sexuais e homicidas. É impressionante como ninguém se toca que no Brasil trocam-se as figuras nos palanques mas nos bastidores do Planalto Central continua a velha carnificina anti democrática social. Com o passar dos dias e depois de provocarem uma irritabilidade coletiva, os mesmos políticos discursam em seus cavalos brancos o velho jargão político “o voto é a única maneira de mudar”. Bando de corruptos caras de pau, querem apenas garantir que o espetáculo continue. Deveríamos envenenar os bebedouros políticos com o antídoto da verdade, colocar na salada mista pílulas de sinceridade. Assistiríamos em horário nobre nacional a verdadeira história do Brasil.
Elisa Bartlett.   

Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha um namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuvas, eu era a garoa e ela, um furacão.
Quem é você, Alasca? 

Irônico, pois quanto mais ele tinha medo da solidão, mais ele queria ficar sozinho.
Marcos Filipe.

Solidão. Tem algo mais atormentante que solidão? Ah, meu caro, quando ela te invade, nem mesmo fechar os olhos e “dormir” adianta. É triste! Ela te deixa triste. Ela te faz triste. Solidão é igual familiares chegando pra festa natalina, sem avisar. Ela chega e te invade. Te corrói. Ela te fecha para o fulano, para o cicrano; para o mundo e assim, só resta se agachar no canto da parede do banheiro, ligar o chuveiro e fingir. Fingir que está recebendo um banho de alegrias, fingir cantar - mesmo com a voz soluçando - e fingir acreditar que ela vai passar. Ela não é igual a felicidade. Felicidade vem e vai em um piscar de olhos. Solidão vem e fica, se agarra, porque ela tem medo de si própria. De único, você passar a ser nada. Solidão massacra. Ela quer companhia para beber, assistir filme, comer pipoca, fazer chocolate, ler um livro, contar piadas. Ela quer alguém que a ame e a faça se sentir amada. Espera. Estou confundindo. Quem quer isso somos nós. Aí ela vem. Torna-se tudo isso; porém é daquelas que a gente não vê, só sente. Daquelas que dizem ter a alma negra, sombria. Daquelas que são frias. Que nos congelam. Nos paralisam. Estou caindo. Estou sumindo. Eu consigo ver, lá no fundo, a minha luz. Me dê a sua mão, me tira da solidão. Eu consigo ver. Mas não tenho forças. Estou chorando. E meu pequeno infinito é tomado pela solidão e se estende. Prolonga-se pelos dias que virão. Eu consigo ver. No entanto, estou perdendo o dom de sentir.
Sou um ser feito de barro e estou sendo dominado pela tal da solidão, apenas. 

@romanceais